Ontem foi uma boa noite, ou noite boa, melhor escrevendo. Não se pode pedir muito mais do que boa companhia aos pés do mar, cujos murmúrios eram a banda sonora doce, lenta, suave, formando e embalando os sonhos por madrasta sorte condenados ao naufrágio num mundo sem contemplações.
Cerro os olhos. Vejo com mais clareza. O negrume é interrompido. Luz sim. Luz não. Luz sim. Malmequer, bem-me-quer. A tormenta só se faz sentir no interior. Penso no vazio, não no longo debate sobre o significado do nada, passatempo de filósofos, pois tal não sou, mas na ausência de alguém que desconheço. Acendo a candeia, avanço pela chuva aos tropeções. Bombordo, estibordo. Oscilante. Não adianta, não chego ao vazio. Ainda não é a altura certa.
Sociais. Seres sociais, é como nos definem. Não deixo de ficar maravilhado com o efeito que o toque tem nas pessoas, e tão fácil é perceber se a pessoa está habituada ao toque. A criança privada de carinho e de braços aconchegantes ilumina um anfiteatro quando finalmente recebe afeto, os olhos brilham, produzem luz própria que é derramada pelos corredores. Os adultos avessos ao toque, indefesos, diminuem de tamanho quando confrontados, o frágil ser que dentro habita chora de alegria, as respostas comuns deixam de fazer sentido. A fachada imobiliza-se, chegam sinais contraditórios. Quieto. Afasta-te. Corresponde. Reage. Sorri. O forte foi derrubado. O Rei morreu. Viva o Rei!
domingo, 30 de junho de 2013
sexta-feira, 21 de junho de 2013
The Absent Life
Foi há quase 3 anos o último post (peço desculpa aos puristas, mas não há nenhuma tradução de "post" que me agrade).
Promessa por cumprir, a do ReBirth.
Hoje dei-me ao trabalho de ler os devaneios de 2009 e 2010, tendo vindo à memória sentimentos que repousavam nas profundezas da mente. Devido à aura de negatividade que fabriquei em torno da minha persona nos últimos anos, é estranho ler o que sentia o ego daquela altura. É estranho ler o que sentia durante a travessia do deserto (terminada?), a ironia crua, o tom lúgubre, as referências ao divino, a escrita negra.
Isso faz-me pensar no significado de Identidade. Pode-se dizer, sem margem para dúvidas, que a mesma pessoa escreveu em 2009 e está neste momento a fazer renascer o blog das cinzas?
Hipótese pragmática: sim, a não ser que tenha sido pouco cuidadoso na escolha da palavra-passe. Os hackers estão à espreita.
Hipótese fantástica: as alterações sofridas pela psique de um ser ao longo do tempo são suficientes para que possamos falar na existência de pessoas diferentes, identidades distintas, dois indivíduos, de facto, amaldiçoados na partilha forçada do mesmo vaso corpóreo ao longo de um tempo t, ilusão das ilusões, truque houdinesco, há milénios impedindo que os seres sejam livres (liberdaaaaaaaaaaaaaaaaade!), presos que estão na teia da carne* antes propriedade de outrem.
O que mudou nestes três anos? Inúmeras crises? Erros seguidos de erros? Caminho para a maturidade? Sonhos em decomposição? Prioridades trocadas?
A maior alteração terá sido o meio utilizado como escape. O cinema preenche o que antes partilhava com a leitura. Ebert tornou-se um ídolo tal qual Garcia Marquez. O mundo continua a girar, se bem que mais devagar. A Humanidade continua a ser um mistério. O sentimento de ausência continua forte. A impossibilidade de consciência na ausência faz doer. O tornado Confusão acalmou, poupando vidas, destruindo corações.
Em frente, que atrás vem gente.
* Não acredito na dualidade corpo-alma. Ao contrário da persona de 2009, sou um ateu convicto.
Promessa por cumprir, a do ReBirth.
Hoje dei-me ao trabalho de ler os devaneios de 2009 e 2010, tendo vindo à memória sentimentos que repousavam nas profundezas da mente. Devido à aura de negatividade que fabriquei em torno da minha persona nos últimos anos, é estranho ler o que sentia o ego daquela altura. É estranho ler o que sentia durante a travessia do deserto (terminada?), a ironia crua, o tom lúgubre, as referências ao divino, a escrita negra.
Isso faz-me pensar no significado de Identidade. Pode-se dizer, sem margem para dúvidas, que a mesma pessoa escreveu em 2009 e está neste momento a fazer renascer o blog das cinzas?
Hipótese pragmática: sim, a não ser que tenha sido pouco cuidadoso na escolha da palavra-passe. Os hackers estão à espreita.
Hipótese fantástica: as alterações sofridas pela psique de um ser ao longo do tempo são suficientes para que possamos falar na existência de pessoas diferentes, identidades distintas, dois indivíduos, de facto, amaldiçoados na partilha forçada do mesmo vaso corpóreo ao longo de um tempo t, ilusão das ilusões, truque houdinesco, há milénios impedindo que os seres sejam livres (liberdaaaaaaaaaaaaaaaaade!), presos que estão na teia da carne* antes propriedade de outrem.
O que mudou nestes três anos? Inúmeras crises? Erros seguidos de erros? Caminho para a maturidade? Sonhos em decomposição? Prioridades trocadas?
A maior alteração terá sido o meio utilizado como escape. O cinema preenche o que antes partilhava com a leitura. Ebert tornou-se um ídolo tal qual Garcia Marquez. O mundo continua a girar, se bem que mais devagar. A Humanidade continua a ser um mistério. O sentimento de ausência continua forte. A impossibilidade de consciência na ausência faz doer. O tornado Confusão acalmou, poupando vidas, destruindo corações.
Em frente, que atrás vem gente.
* Não acredito na dualidade corpo-alma. Ao contrário da persona de 2009, sou um ateu convicto.
segunda-feira, 5 de julho de 2010
ReBirth
Já é mais do que altura.
A inspiração escasseia, mas este blog tem de voltar a viver.
Vá, amanhã começo a postar algo de jeito.
5 de Julho, Dia da Independência de Cabo Verde, Dia da Nossa Liberdade. Parabéns a todos nós.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
A Histeria. Rabiscos.
O século XXI ficará para a história como o mais histérico. Isso significa que confio no poder de regeneração da raça humana, ou melhor, que acredito piamente na impossibilidade das coisas piorarem, desafiando o engenheiro aeronauta Murphy.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Idiotas.
A comunicação é um dom e uma maldição. Para a perpetuação da espécie é fundamental fazer passar aos outros mensagens importantes: "dói", "dói muito", "estou a morrer", "estou feliz", "quero acasalar", entre outras.
Todavia, quando a comunicação não funciona, seja por problemas de emissão, recepção, ou ambos, entra-se no perigoso mundo das más interpretações, do exagero, da memória selectiva.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Meaningless. Desabafo.
Nunca paraste para pensar no que fizeste à tua vida? Nas oportunidades que tiveste e atiraste pela janela? Claro que sim. Quem não o faz? Confirmas a minha ideia preliminar. Somos todos uns idiotas, esperando eu que não estejas no lote dos que associam idiota a ideia. Tornar-te-ias um idiota ao quadrado.
Estar longe de casa é duro, tão duro que sobreviver à experiência deveria ter como prémio máximo um lugar ao lado do Pai (?). (Pois é, resultados da minha mudança de convicção religiosa. A partir de agora considero-me agnóstico, não ateu.)
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